Dimensionar um condutor elétrico não é simplesmente escolher o cabo pelo olho. A NBR 5410 define 6 critérios obrigatórios que a seção adotada deve atender simultaneamente — e ainda lista outros fatores que influenciam diretamente o resultado final. Ignorar qualquer um deles não é apenas erro técnico: é não conformidade com a norma.

O princípio fundamental

O item 6.2.6.1.2 da NBR 5410:2004 é direto: a seção dos condutores deve ser determinada de forma a que sejam atendidos, no mínimo, todos os critérios listados. A seção adotada é sempre a maior entre as exigidas por cada critério aplicável ao circuito.

Os 6 critérios obrigatórios (item 6.2.6.1.2)

a

Capacidade de condução de corrente (ampacidade)

A capacidade de condução do condutor, corrigida pelos fatores aplicáveis, deve ser igual ou superior à corrente de projeto do circuito, incluindo componentes harmônicas.

NBR 5410 — item 6.2.5 e Tabelas 36 a 39
b

Proteção contra sobrecargas

O dispositivo de proteção e o condutor devem ser coordenados de forma que o condutor seja protegido em toda condição de sobrecarga.

NBR 5410 — itens 5.3.4 e 6.3.4.2
c

Proteção contra curtos-circuitos e solicitações térmicas

O condutor deve suportar a energia térmica gerada durante o tempo de atuação da proteção no pior caso de curto-circuito.

NBR 5410 — itens 5.3.5 e 6.3.4.3
d

Proteção contra choques elétricos — seccionamento automático

Em esquemas TN e IT, a seção deve garantir o seccionamento automático nos tempos máximos exigidos. Em TT residencial, o DR cumpre essa função.

NBR 5410 — item 5.1.2.2.4 e Tabela 25
e

Limites de queda de tensão

Em nenhum caso a queda de tensão nos circuitos terminais pode ser superior a 4%. O limite global varia entre 5% e 7% conforme a origem da alimentação.

NBR 5410 — item 6.2.7
f

Seções mínimas absolutas

1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para tomadas em instalações fixas com cobre. Nenhum cálculo pode resultar abaixo desses limites.

NBR 5410 — Tabela 47 (item 6.2.6.1.1)

Fatores que reduzem a ampacidade tabelada

Todos esses fatores se multiplicam para obter a ampacidade corrigida real do condutor:

Temperatura ambiente (Ft)

Referência: 30°C. Acima de 60°C, PVC não é mais permitido — exige XLPE.

Tabela 40 da NBR 5410

Agrupamento de circuitos (Fa)

3 circuitos juntos em feixe = fator 0,70. 6 circuitos = fator 0,57.

Tabelas 42 a 45 da NBR 5410

Método de instalação

O mesmo cabo de 2,5 mm² tem ampacidades muito diferentes dependendo de como está instalado.

Tabela 33 — métodos A1, A2, B1, B2, C, D, E, F, G

Número de condutores carregados

Neutro carregado por harmônicas de 3ª ordem acima de 15% aplica fator adicional de 0,86.

Tabela 46 e item 6.2.5.6

Resistividade térmica do solo

Aplicável a cabos enterrados. Solos secos dissipam menos calor.

Tabela 41 e item 6.2.5.4

Variação de condições no percurso

O trecho mais desfavorável define a seção de todo o percurso.

Item 6.2.5.8 da NBR 5410
Iz = Iz₀ × Ft × Fa × ...Iz₀ = ampacidade tabelada · Ft = fator de temperatura · Fa = fator de agrupamento

Queda de tensão — fórmulas

S = (2 × ρ × L × Ib) / ΔV  [monofásico]
S = (√3 × ρ × L × Ib) / ΔV  [trifásico]ρ(Cu) = 0,0172 Ω·mm²/m · L = comprimento (m) · Ib = corrente de projeto (A) · ΔV = queda máxima em V

Exemplo: 127 V monofásico, Ib = 20 A, L = 25 m, ΔV máx = 4% → 5,08 V. S = (2 × 0,0172 × 25 × 20) / 5,08 = 3,38 mm² → adotar 4 mm².

Proteção contra curto-circuito

I² × t ≤ k² × S²I = corrente de curto (A) · t = tempo de atuação da proteção (s) · k = 115 para Cu/PVC, 143 para Cu/XLPE · S = seção (mm²)

Atenção: a seção adotada deve ser a maior entre todos os critérios calculados. Nunca adote a menor — mesmo que um único critério pareça suficiente.

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